domingo, 28 de abril de 2013

Segundo Dia de Equoterapia no Walking

Quinta-feira, dia 25 de Abril foi o segundo dia de equoterapia do Nick, no Walking. 

Após avaliar as chapas de Raio-X do Nicholas, o fisioterapeuta o liberou para montar no cavalo sozinho. E ele simplesmente adorou!  Então o Nick montou em um cavalo e, ao seu lado, a fonoaudióloga (Andressa) caminhava, cantando as musicas que ele gosta e conversando com ele. No final, o Nick abraçou o cavalo...foi emocionante!






sexta-feira, 26 de abril de 2013

Por quê a Equoterapia?

Cavalos

Sempre amei cavalos. Desde minha lembrança mais remota, o sentimento de carinho e a sintonia com os cavalos sempre estiveram presentes. De alguma forma, eu sentia que eles, os cavalos, podiam me ver e me entender de uma maneira muito especial. Então, quando eu soube do diagnóstico no Nicholas, foi a primeira coisa que pensei "cavalos". E eu já sabia que o Nick gostava desses animais incríveis  porque sempre que possível, eu o levava para vê-los -- e ele sempre sorria e ficava eufórico!
Um dia, enquanto tentava conseguir o máximo de informações sobre o autismo, na internet,e também sobre os tratamentos que existem para ajudar pessoas autistas, encontrei a palavra "equoterapia". Nossa! Naquele momento eu soube exatamente o que fazer. Foi como se uma luz no final do túnel aparecesse, brilhante como o Sol.

Falei sobre isso com a minha mãe e ela começou a pesquisar sobre todos os lugares que oferecem esse tipo de tratamento e, também, a conversar com várias pessoas sobre equoterapia. Então, um dia, recebi uma mensagem de minha mãe com vários lugares e contatos de pessoas relacionados com esse tipo de tratamento. Comecei a ligar para essas pessoas, e a me informar sobre os preços das mensalidades, lugares que oferecem equoterapia de forma gratuita, etc.
Esses últimos, têm uma fila de espera...de dois anos ou mais! Meu interesse pelo tratamento gratuito se deve ao fato de que nossa situação financeira está complicada ao ponto de termos que escolher as contas que vamos pagar. Enfim, por causa do longo período de espera, desisti. Ademais, quanto antes uma pessoa com autismo receber tratamento, maiores serão suas chances de superar as dificuldades que essa condição lhe impõe.

Quando perdi minhas esperanças de conseguir a equoterapia gratuita para o Nick, minha vontade era a de me fechar no quarto e ficar chorando debaixo das cobertas.
Dezenas de coisas passavam pela minha cabeça, ao mesmo tempo, e eu sentia que ia ter um treco. No meio desse monte de pensamentos, haviam algumas idéias sobre o que eu poderia fazer: uma delas era entrar em um site chamado "vakinha.com", expor o caso do Nicholas e pedir dinheiro para as pessoas. Mas, eu estava tao deprimida que achei a ideia boba. 

Minha mãe, como sempre, pareceu ter lido a minha mente e disse "por que você não entra no site "vakinha.com"? " . Naquela mesma hora eu pensei "nossa, como minha mãe consegue fazer isso?! ".  Comentei sobre esse site com o meu marido e ele achou a ideia ótima -- e lembrou que um amigo dele havia falado do Vakinha para ele.

A Vaquinha

 Então, entrei no site, fiz o cadastro e montei a vaquinha para conseguir a equoterapia para o Nicholas e comecei a divulgar no Facebook: "Tratamento para o Nicholas -- Espectros do Autismo" . Inicialmente, eu estava pedindo o valor de R$3600,00 para pagar sessões de uma vez por semana durante um ano, em um lugar chamado "Projeto Liberdade". Mas por conta da distância, percebi que seria inviável. Mas logo descobri o Walking Equoterapia, que saia o mesmo preço, e eu poderia continuar a juntar dinheiro para pagar. Além disso, o Walking trabalha com um esquema de apadrinhamento:por exemplo, se a mensalidade é 4x , e houverem quatro pessoas comprometidas a pagar x por mês, o paciente pode fazer a equoterapia. 

Em relação a vaquinha, a  reação dos meus amigos, dos amigos da minha mãe (que se tornaram meus amigos também) e dos amigos do meu marido foi maravilhosa. Quem não pôde doar dinheiro, nos deu carinho, apoio emocional (e Deus sabe como estávamos precisando disso!), e nos ajudou a divulgar a "vakinha".

Mas enquanto a vaquinha corria solta no Facebook (rsrsrsr), uma grande amiga nossa passou um final de semana inteiro "pendurada" no telefone, tentando conseguir a equoterapia para o Nicholas. Na segunda-feira seguinte, aniversário do Nick, essa amiga nos liga dizendo que havia conseguido o tratamento de equitação terapêutica para meu filho, por intermédio de outro amigo. Eu, minha mãe, minha irma e meu marido ficamos felicíssimos! Afinal de contas, o Nicholas já poderia ter contato com os cavalos. Marcamos o dia e ficamos na expectativa.

Pouco tempo depois, três amigas resolveram apadrinhar a equoterapia do Nick no Walking! Agora, ele poderia fazer equoterapia, uma vez por semana -- o ideal para ele, são duas vezes, mas com o dinheiro que estamos arrecadando na vaquinha, em breve isso vai acontecer, e se não fosse pela ajuda das madrinhas e de todos os nossos queridos amigos nada disso seria possível. 


Equitaçao Terapêutica & Equoterapia


A equitação terapêutica consiste em montar em um cavalo, e sentir o seu andar, sua energia, e seu ritmo. É uma terapia que se baseia exclusivamente na relação cavalo x cavaleiro. Muita gente mistura equoterapia com equitação terapêutica, mas são duas abordagens diferentes de terapia que utilizam a mesma ferramenta básica: o cavalo. 
Mas a equoterapia envolve o paciente, o cavalo, fonoaudiólogo(a), fisioterapeuta e psicólogo(a). Além disso são realizadas várias atividades (especiais para cada caso de cada paciente) em cima do cavalo. 

Só o fato de andar a cavalo, traz experiências sensoriais, motoras e sociais e, ainda, encoraja a autonomia, melhora a auto-estima e a condição física de modo geral.

"Cada indivíduo, com deficiência e/ou com necessidades especiais, tem o seu “perfil”, o que o torna único. Isto evidencia a necessidade de formular programas individualizados, que levem em consideração as demandas daquele indivíduo, naquela determinada fase de seu processo evolutivo. A equoterapia é aplicada por intermédio de programas individualizados organizados de acordo com: ­•as necessidades e potencialidades do praticante; ­•a finalidade do programa; ­•os objetivos a serem alcançados, com duas ênfases: •a primeira, com intenções especificamente terapêuticas, utilizando técnicas que visem, principalmente, à reabilitação física e/ou mental; •a segunda, com fins educacionais e/ou sociais, com a aplicação de técnicas pedagógicas aliadas às terapêuticas, visando à integração ou reintegração sócio-familiar." Fonte ANDE-BRASIL 2009

Para maiores informações, clique aqui.





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Terceiro dia no pônei

Ontem foi o terceiro dia de equitação terapêutica do Nicholas, lá no Recanto dos Cavaleiros. O pônei que ele montou foi o Bob --mas o que ele montou a primeira vez foi o Bim. Achei engraçada a reação do Nick, porque, todas as vezes que o Bob parava, o Nick queria descer. Me pareceu que o Nick sentiu a diferença das passadas do Bob pro Bim e ele estranhou.  




Também tive a impressão de que o Bob estava cansadinho.



Bob


Mas aí aconteceu uma coisa muito legal: o Bim, que estava tirando o dia de folga, viu o Nicholas montadinho no Bob e começou a seguir a gente (porque eu ando do lado, né). Nesse momento, o Nick começou a rir e a olhar para o Bim, que ficou acompanhando a gente até o final da sessão. 


Bim



domingo, 21 de abril de 2013

Autismo: Incompreensão e tabu (parte 1)



O amor pela natureza me ajudou a escolher minha profissão: Hoje, sou bióloga. Apesar de não poder atuar na minha área, nesse momento de minha vida, lembro-me bem da sensação de estar diante de algo desconhecido e misterioso: no início, um friozinho na barriga, como se estivesse andando de montanha-russa, pela primeira vez, antes da primeira descida em alta velocidade. Depois, sentia uma grande admiração pelo o que estava estudando, pois estava descobrindo coisas que nem imaginava serem possíveis! E isso nunca tem fim, porque quanto mais estudamos, mais descobrimos que o que sabemos é muito pouco e, isso, só alimenta o anseio pelo saber.
Mas em relação ao autismo, senti um medo diferente, como se estivesse  de frente para um tigre faminto. Sentia que seria consumida pelo medo. Então, quando  comecei a pesquisar sobre o assunto, o medo foi passando e meu anseio por novas descobertas foi aumentando. A impressão que tenho hoje, é a de que a primeira reação do ser humano “normal” diante de algo que ele não conhece, é a de negação. Um bom exemplo disso, é o tema da inteligência de outros animais não-humanos: como as pessoas não compreendem a liguagem e as diferentes formas de comunicação dos outros animais, elas simplesmente acham que não existe outra forma de vida inteligente a não ser a humana.
Nesse momento, quero deixar bem claro que não estou dizendo que as pessoas com autismo são animais, de forma pejorativa: todos nós somos parte do Reino Animal. O que quero dizer, é que da mesma maneira que os “seres humanos inteligentes e normais” negam a inteligência de animais não-humanos, eles negam que pessoas autistas sejam inteligentes. O autismo ainda é um tabu, pelo menos aqui no Brasil.
A meu ver, com o pouco que aprendi em menos de um ano, estudando sobre o autismo, acho que os autistas não são menos inteligentes, de forma alguma: são, na verdade, incompreendidos. Conheci, por intermédio de minha mãe, a história de uma menina canadense chamada Carly Fleishmann. Desde muito cedo ela foi diagnosticada autista com retardo mental severo. Todos falavam na frente dela, como se ela nem estivesse ali, como se não entendesse nada. O caso de Carly, segundo os médicos, era perdido.
O que mais me impressiona, é me deparar com atitudes preconceituosas dentro de um consultório de neuropsiquiatria. “ O autismo é um estigma que a pessoa carrega para a vida toda” foi o que escutei de uma neuropediatra que trabalha em uma clínica renomada. Estigma? Como assim? 
Segundo o dicionário Houaiss, "estigma" é aquilo que é considerado desonroso, indigno, labéu - e tem como exemplo:" a doença mental nao é mais considerada um estigma".
Apesar dessa neuropediatra nem ao menos examinar meu filho, ela disse que deveríamos descartar outras possibilidades de doenças que provocam comportamento autístico, como a Síndrome Inata do Metabolismo. Existem mais de 500 tipos dessa síndrome e ela consiste no seguinte: durante a formação do embrião, ocorre um defeito na ligação de uma determinada proteína na cadeia do DNA. Essa ligação “errada” , dependendo do tipo, faz com que a pessoa fique incapaz de metabolizar certos nutrientes e, ainda existe o tipo que impossibilita o lisossomo (uma organela que...) .Como resultado, o organismo se auto-intoxica, causando, dentre outros sintomas, retardo mental, involução do desenvolvimento e comportamento autístico.
Ela disse que na melhor das hipóteses, meu filho tem Asperger. Sinceramente, odiei essa consulta e, estou muito preocupada em fazer a batelada de exames que ela pediu e nosso plano de saúde não cobre (os exames de Sindrome Inata do Metabolismo e exames de pesquisa genética). Achei interessante escrever sobre isso, porque essa neuropediatra, apesar de insensível e não ter  o  menor tato em tratar seus pacientes, é conhecida por ser muito competente. E o fato dela me dizer que existem inúmeros diagnósticos de autismo que, na verdade são casos de Síndrome Inata do Metabolismo me chamou a atenção.
Meu próximo texto será dedicado apenas sobre essa síndrome. Em muitos casos, só para se ter uma ideia, uma dieta restritiva rigorosa cura o problema. Então, acho muito interessante escrever um texto apenas sobre esse tema, uma vez que poderá ajudar pessoas erroneamente diagnosticadas como autistas.
No caso do Nicholas, meu filho, por enquanto  estamos o tratando como um autista atípico, seguindo conselhos de sua psicóloga.